| You Are 66% Evil |
![]() You are very evil. And you're too evil to care. Those who love you probably also fear you. A lot. |
"Dear Santa,
I've been a good Mom all year.
I've fed, cleaned and cuddled my children on demand, visited their doctor's office more than my doctor, and sold sixty-two cases of candy bars to raise money to plant a shade tree on the school playground.
I was hoping you could spread my list out over several Christmases, since I had to write this letter with my son's red crayon, on the back of a receipt in the laundry room between cycles, and who knows when I'll find anymore free time in the next 18 years.
Here are my Christmas wishes:
I'd like a pair of legs that don't ache (in any color, except purple, which I already have) and arms that don't hurt or flap in the breeze; but are strong enough to pull my screaming child out of the candy aisle in the grocery store.
I'd also like a waist, since I lost mine somewhere in the seventh month of my last pregnancy.
If you're hauling big ticket items this year, I'd like fingerprint resistant windows and a radio that only plays adult music; a television that doesn't broadcast any programs containing talking animals; and a refrigerator with a secret compartment behind the crisper where I can hide to talk on the phone.
On the practical side, I could use a talking doll that says, "Yes, Mommy" to boost my parental confidence, along with two kids who don't fight and three pairs of jeans that will zip all the way up without the use of power tools.
I could also use a recording of Tibetan monks chanting "Don't eat in the living room" and "Take your hands off your brother," because my voice seems to be just out of my children's hearing range and can only be heard by the dog.
If it's too late to find any of these products, I'd settle for enough time to brush my teeth and comb my hair in the same morning, or the luxury of eating food warmer than room temperature without it being served in a Styrofoam container.
If you don't mind, I could also use a few Christmas miracles to brighten the holiday season. Would it be too much trouble to declare ketchup a vegetable? It will clear my conscience immensely. It would also be helpful if you could coerce my children to help around the house without demanding payment as if they were the bosses of an organized crime family.
Well, Santa, the buzzer on the dryer is ringing and my son saw my feet under the laundry room door. I think he wants his crayon back.
Have a safe trip and remember to leave your wet boots by the door and come in and dry off so you don't catch cold.
Help yourself to cookies on the table but don't eat too many or leave crumbs on the carpet.
Yours Always, MOM...!
P.S. One more thing...you can cancel all my requests if you can keep my children young enough to believe in Santa."

Pronto, eu sei que já é o terceiro de seguida e ainda vão pensar que eu tenho alguma coisa contra o homem e não é verdade: ela é que não me sai da cabeça, que boazona!
Enfim é sábado e a vida, como dizem os Laibach, é a vida...

Faz-se uma merda destas a um rapariga tão bonita? A uma rapariga que até te cortava as unhas e aparava os pelos das orelhas? A uma rapariga que te via não como o homem implacável mas antes como o doce "Jorge Nuno" que realmente és? Resposta: não, não se faz.
Agora, toma, vais levar nos cornos como gente grande, podes ficar descansadinho. A tua rePutação já era e não me admirava muito se, daqui a uns tempitos que me parecem estar para breve, sejas convidado a, digamos, ir para a reforma.
É que isto agora anda tudo numa de foda honesta, de moralização e tal, vê o caso do outro bacano a quem foram buscar os móveis a casa e que teve de se ir embora, e coisas assim não dá lá muito jeito, mesmo se formos a pensar que tu tens aquela merda toda armadilhada.
Vais ver pá, até os adeptos te vão virar as costas. Vai ser do caralho tu a ires a qualquer lado e a malta cortar-se a ser vista contigo. Vais ver que é uma cena do caraças quando parece que tens lepra e todos te evitam. Mas não te preocupes filho, os Gomes, os Oliveiras e outros terão todo o prazer em suceder-te e até já devem estar a fazer contas à vida.
É uma chatice, não é? Achavas tu que ias entrar para a história como um herói nacional e agora, olha, vais entrar para a história como o pato que foi enrabado por uma gaja. Vais ver, não perdes pela demora. E o pior nem é isso. Olha aqui bem a tromba de mais uma bacana que te vai comer pela frente e por trás até ficares todo consoladinho:
Também é gira, não achas? É verdade que não tem aquele ar de puta altiva que tanto aprecias, ó como te compreendo, mas também é bonita e tem classe. Ir para a cama com uma gaja destas pode até não ser tão badalhoco como gostas, mas não deve ser mauzito, não senhor, penso eu e estou em crer que vais adorar a parte em que ela te prender de pés e mãos com algemas à cama. Ai meu pintinho, as mulheres são a tua perdição.
O escritor Tom Wolfe tem um livro absolutamente fantástico, chamado "Um homem em Cheio" (A Man in Full no original) onde pinta um mágnifico fresco da sociedade do Deep New South, numa sátira que revolve em torno de um poderoso homem de negócios e da intrincada dinâmica social da cidade de Atlanta.
Este post não pretende ser uma resenha do livro, (o melhor é lerem-no, peçam ao Pai Natal) mas há nele um tipo social que Wolfe descreve com sábia ironia e deliciosa contundência e que nos últimos dias não me sai da cabeça. Estou a falar daquilo a que Wolfe chama a "mulher tarte de limão."
Muito brevemente, (mais uma vez leiam o livro, vale a pena) uma tarte de limão é uma mulher jovem e muito bela, atraente, por fora, mas velha e feia por dentro. É o tipo de mulher que todos os homens poderosos de Atlanta, invariavelmente quando sentem que a velhice está a chegar e que a pujança lhes falta, "compram". No fundo, não passa duma pueril tentativa de afirmarem o seu poder, a sua virilidade.
Como é óbvio, muitos deles acabam por chegar à conclusão de que afinal a "tarte de limão" não presta e intentam ver-se livres dela. O pior é que regra geral a "tarde de limão" é uma mulher fria e calculista e para se verem livres delas têm de pagar um chorudo preço. Por vezes, sucede até os ditos homens poderosos terem esqueletos debaixo da cama conjugal e, na altura da separação, a "tarte de limão" vingar-se, expondo os referidos esqueletos à apreciação do olhar da justiça e para gáudio das massas, com requintes de malvadez.
E... pois é, meu pintaínho, querias comer tarte de limão, não querias? Azar, pintinho, fodeu, a tua tarte de limão azedou!
PS- Vejam lá não se olvidem que ao comentarem estão a contribuir para que o patinho, (patinho, pintinho, vai dar ao mesmo) não morra, o que não sei se não seria o melhor desfecho para esta fogueira das vaidades à portuguesa...
Considero agora que há comentários passíveis de serem censurados, sobretudo quando os autores preferem manter-se no anonimato. Assim, convites de cariz sexual, enunciação de taras do foro psiquátrico, insultos primários e etc, são aqui censurados, nem tanto por que me ofendam pessoalmente (ó, pá, o Robino é uma criação intelectual, é um boneco, não sou eu, tás a topar?) mas, porque não gosto e acho feio e até para quem cá passa não deve ser de todo em todo lá muito agradável levar com palavreado do género "vou enrabar-te todo", "quero comer-te esse cuzão balofo" e por aí fora.
E pronto, dito isto, caros amigos, vou continuar o meu retiro espiritual. O Covil permanece encerrado até passarem as chuvas e o sol brilhar de novo. Enquanto isso não sucede, estou com amigos no lado negro da força. Abraços a todos.
PS - Roubar passwords é muito, muito feio. É certo que não se perdia quase nada, mas não deixa de ser feio.
Por estes dias tenho pensado muito no bom do velho Walt. O que lhe teria dado para, com essa idade e nada tendo feito de grande monta até então, escrever o monumental Leaves of Grass? Fosse o que fosse, nesta altura do meu campeonato, when everything has been said and done and the sun's gone to hell, o exemplo dele é inspirador; as minhas folhas de erva já estão secas, a partir de amanhã é tempo de as começar a enrolar. Se depois as escrevo ou as fumo, terei 365 dias e algumas horas para decidir. Um grande bem haja a todos.
Hoje parece que vem cá um grupo de compatriotas e já sei que estou fodido: meia manhã perdida a sacar bicas a torto e a direito. O que vale é que o meu sotaque mudou muito nos últimos meses e os porcos dificilmente se aperceberão de que sou português. Senão, estava tramado, até onde se arranjam putas me perguntariam. Como está, posso queimar-lhes as bicas à vontade, que o palhaço do Paquistanês é que acaba sempre por pagar o pato.
A vaca da Jane, a gerente escocesa, vê-me com desprezo, tudo porque nunca consigo desviar os olhos das suas pernas. E porque sou um reles empregado de mesa moreno e baixote, com o irritante hábito de citar Molière, em francês, por dá cá aquela palha, e a quem ninguém, nem mesmo esta puta, conseguiu jamais enrabar. São muitos anos disto, Maria, anos demais.
Trabalha-se bem e a doer aqui no Hotel. Sempre a dar-lhe forte e sempre de pé. Em cima dos sapatos para a frente e para trás até ser hora de fugir para a cigarrada da praxe, e vá de voltar para a cozinha outra vez a sonhar com a merda do clima ameno e do terreno em Guimarães onde vamos construir o café.
É complicado fumar aqui. Os tipos de cá não gostam do fumo e em todo o Hotel só mesmo na porta dos fundos, por onde pessoal e entregas passam, se pode esgalhar uma cigarrada sem problemas de maior, e, ao mesmo tempo, catrapiscar as gajas novas da limpeza. São cá umas porcas, as putas, se não metem pelo menos um motherfucker por frase até fico admirado. Enfim, curiosidades desta working class que esqueceu a família Belamy e se rendeu às novelas dos primos americanos.
De manhãzinha faz muito frio aqui e para fumar convém ter a porta aberta, não vá a merda do detector de incêndios entrar em delírio e começar a disparar pois já me chega a merda da má sorte corrente que me dá esta puta de vida e estes empregos merdosos. Está gelado, aqui, aqui está sempre gelado.
Mas está-se bem ao mesmo tempo. Tira dali, coloca mais a frente, faz-se um desvio um pouco a esquerda, “Yes sir, cofee or tea? Would you like some toast? Certainly sir, in a moment”, entra-se pela cozinha, máquina de café a postos, os pratos sujos atirados judiciosamente de propósito para espirrarem na farda imaculada do imbecil do colega paquistanês, torradeira no canto do olho, ouvido atento à piada brejeira do subalterno dos ovos estrelados, e toca a andar que o tipo da mesa gosta pouco de esperar pelo seu chá... Aliás, quem gosta de esperar pelo seu chá? Essa agora...
Nisto são duas da tarde e só falta uma para dar de frosques, a dor nas pernas é insustentável, mas não há nada a fazer; é preciso lutar, lutar sempre. As libras não caem do céu e sem elas não há vida depois da Inglaterra. O paquistanês que o diga.
“Could you clean the cutlery, Robino?” Sim podia, minha doce vaca, mas preferia limpar-te os talheres antes a ti, sua boazona... “Sorry Robino? Nothing Jane, of course i’ll clean the cutlery, i’ll do it straight away. Thank you Robino, if you keep the good work, who knows, in a couple of years you might even apply for head-waiter.” Isso, isso, filha, “in a couple of years” já fui com os porcos e o teu sarcasmo não me comoverá; mas essas mamas deliciosas desde sempre me comoveram e sempre me comoverão, chuif.
E vá de enfiar a merda dos talheres no frasco do vinagre morno e enxugá-los, um por um, são pelos menos mil, a mielas com o Paki, de forma a que não fiquem com as marcas foleiras da água da máquina de lavar. Este trabalho é o maior frete de todos, mas faço-o sempre com rigor e profissionalismo. Ele também. Afinal, esta merda é ou não é de cinco estrelas? Sim, porque, foda-se, temos brilho nas merdas que fazemos, eu sou um bom profissional, ele também, e gostamos de o ser e se o não fossemos há muito estes paneleiros nos teriam posto com dono. Aí, então, é que estava o caldo entornado. Nem libras, nem Maria, nem negócio quando voltar a Portugal. Mas, porra, como me doem as pernas.
O Paki também está cansado, e apesar da religião acaba por ser bom tipo. Traz sempre um sorriso doce e generoso. E depois de todas as merdas que lhe faço, tem sempre para mim um gesto atencioso e quando me finjo de teso nunca me nega uma nota de dez. Estou cansado, Maria, muito cansado.
O que nos vale é que nos deixam cagar pelo menos uma vez por dia e sempre que vou à sanita aproveito para descansar e gozar com a malta. Apercebi-me há dias que o otário do chefe da cozinha, que tem uma mulher podre de boa e que por isso se julga erradamente corno, costuma ir arrear o calhau sempre por volta das duas e meia. Vou um bocadinho antes dele e entretenho-me a rabiscar na porta da cagadeira mensagens jocosas destinadas a impedir que ele usufrua em paz do seu momento solitário. Estou particularmente orgulhoso da que lhe deixei hoje: “While you’re here, your wife is sucking cock”.
O Paki ri-se de tudo isso e diz-me num tom estudado e subtilmente irónico: “you portuguese are all mad, the Prophet will take good care of you all in the after life; and your wife will fuck you personally in the present one, my dear Robino”.
Três e meia da tarde. É quase noite outra vez lá fora. Que se fodam os talheres e vão todos comer na peida, seus filhos da puta, que tenho mais o que fazer. “Bye bye Jane, got to go. Bye bye Ahmed, see you tomorrow”.
E arranco para a rua. Passo ao quiosque por baixo do túnel que tem revistas de gajas nuas e apanho o autocarro que me leva ao city centre para o segundo turno do bules no bar. Merda, se continuo com dois empregos dou cabo da saúde, penso eu, enquanto passo os olhos pelas Macnotícias do jornal gratuito. Se me aleijo a trabalhar, aí sim, não haverá libras que me valham. Se não fosse a promessa de nos casarmos quando voltar e abrir o café, não sei Maria, não sei.
Entro a bulir pela tardinha, seis da tarde a bater, no caminho passo primeiro ao Gallery, só pró whiskinho ligeiro e para sondar o ambiente da evening. Sim, porque o Gallery é sempre um bom barómetro da noite. Quando o Gallery está cheio, é porque estou fodido.
Mas isso são detalhes. O Gallery é a primeira paragem no caminho para o bules. Ando muito nervoso nos últimos tempos e para ganhar confiança bato-me logo em seguida ao Bay Horse, onde o whisky é mais barato. Sítio fodido, só dá mangueira no Bay Horse e saio de lá claustrofóbico, a olhar o relógio e já a estugar o passo.
Última paragem, o Loop. Lindo nome, não sei como se traduz loop, mas a mim sempre me deu a ideia de salto em frente, vigoroso, quase atrevido, confiante e bem disposto. O Loop é um bar como o que gostava de abrir contigo em Portugal, ou nem por isso, por estas horas já me estou bem nas tintas e vejo tudo cor de rosa. Mas, de certo modo, o Loop é classe, outra onda, mais business e menos povo, malta de escritório high-tech, mulheres bonitas pintadas de fresco, executivos de fato e gravata, empregados de mesa imaculadamente latinos... Jack Daniels e toca a andar, agora já nem disfarço e vou mesmo a correr.
A tasca aonde vou buscar em cinco horas mais dinheiro do que em três dias de Lisboa é grande; um espaço amplo, com muitas mesas de madeira, mesas de bilhar, duas pistas de dança, e três bares propriamente ditos. A minha função? Simples: apanhar copos e depositá-los no bar principal, na área de serviço. Fácil? O caralho!
Na hora de ponta são mais de mil indivíduos, pelo menos 600 bêbados, 700 muito bem dispostos e 999 que se estão a cagar para ti e para o teu trabalho. Chegas ao fim e deitas um cheiro esquisito; metade destilaria, um quarto cavalo, e um quarto homem-raiva-desespero, Maria.
O giro é o ambiente, todos os empregados estão com os copos, e eu sou talvez dos que menos bebem. Ainda assim, pela surra um gajo apanha tosgas de virar o catramundo e aterrar na Lua; bem se vê, só mesmo a gozar é que se leva com um emprego destes.
E as gajas, olha, as gajas passam-se a valer com os homens do bules, oh se passam...
O pior é que ao fim dum tempo um homem nem sequer as vê – só vez copos, garrafas, copos altos, garrafas de litro, copos de pint, garrafas de champanhe, copos de cocktail, copos fáceis, copos difíceis, colegas que se piram, colegas que te berram aos ouvidos, colegas que te passam vodkas duplos para as mãos, colegas que desmaiam e caem para o lado... e copos e mais copos e copos...
Fodido mesmo nem sequer é isso; fodido mesmo é quase a acabar, pegar em bancos que pesam 30 quilos cada, e vá de os arrastar e atirar dum lado para outro sem objectivo aparente que não seja dar cabo do caparro. No fim, a tarefa simpática: varrer tudo, meticulosamente, irrepreensivelmente, antes de me enfiar num taxi para ir dormir sozinho às duas da manhã. Maria, se não fosses tu, Maria, não sei, não sei.

O cantor Robbie Williams, o qual como toda a gente sabe marchava antes e depois do photoshop, (alguma coisa haveria de ter em comum com o Robino) acaba de revelar que ao embriagar-se e/ou drogar-se fica com uma enorme apetência para fornicar whoever strikes his fancy (mais outra coisa que tem em comum com o Robino) - não importa onde nem quando.
O ídolo da pop, cujo último álbum já se encontra nos escaparates, revelou então que, nas mencionadas circunstâncias, faz amor em aviões, jardins, comboios, parques de estacionamento e etc. É caso para dizer não tem medo do palco, mas sim muita sorte em não ter sido ainda paparizado numa situação que lhe revelasse os pés de barro...
PS - E esta, senhora dona S? Embebeda-o e droga-o, filha, embebeda-o e droga-o, eheheh...
Recebi com enorme consternação as notícias que dão conta dos teus problemas financeiros. É escusado ires-te queixar à mãe; desde a última vez que a desafiaste, posando semi-nú num baile de Carnaval, ela ficou terrivelmente sentida contigo e não mexerá uma palha para te ajudar. Ainda por cima agora, que valores mais maternos do que aqueles que a unem a ti se erguem.
Quanto ao avô, é melhor nem pensares: não se esqueceu das tuas diabruras quando eras jovem e das dores de cabeça que lhe provocaste quando esqueceste os teus laços familiares e te meteste a apregoar que ele, pai do teu pai, não passava dum cara de atum da linhagem dos Silvas.
Filho, temo por ti. Tão pouco o teu amigo Jaime me inspira confiança... Nunca tiveste jeito para escolher as tuas amizades e como sabes os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio, já para não falar das cotovias que do alto da sua cátedra iluminada não perderão tempo a hostilizar-te desdenhosamente.
Filho, o pai não pode fazer muito por ti a não ser aconselhar-te o seguinte: consolida filho, consolida...
Mas, dizia, de modo inteligente, Sócrates colou-se logo e avançou com o dito referendo, pois sabe que o único vencedor seguro e antecipado é ele e o seu Governo. Esperem para ver. Enquanto estivermos todos entretidos a concordar ou a discordar com os canalhas de serviço (Ó Lutero, ó Calvino, ó Henrique VIII, porque não nasceram em Portugal?..) pela calada Sócrates irá fazendo aprovar as medidas que muito bem entender com o intuito de nos aliviar a carteira e, diz ele, colmatar o buraco do défice.
Quanto ao resto, este referendo é uma grandíssima sacanagem. Na melhor das hipóteses, ganha o Sim e fica tudo na mesma, com os púdicos dos médicos a invocar Hipócrates para mandarem as mulheres à merda no serviço público e o todo poderoso Euro para lhes tratarem do problema no privado. Na pior, ganha o Não e constatamos de novo que esta merda não tem remédio, porque a Reforma não passou por aqui e a malta com dois dedos de testa prefere fugir a viver em tal choldra. Eu vou votar. Mas não me falem de aborto, só de ouvir falar em referendo ao aborto apetece-me sacar da pistola.
Obviamente, o critério para a escolha tem de passar pelas acções dos putativos candidatos: têm de ser pessoas que tenham contribuído para o bem do país e da Humanidade em geral, de forma sólida e consistente.
Assim sendo, não percebo a razão de ser deste concurso; está na cara que a escolha tem de recair num homem que, ao longo de mais de vinte anos, single-handed e sem qualquer apoio do Estado, proporcionou a felicidade a milhares de pessoas; um homem que levou aos quatro cantos do globo as qualidades do ser português; um homem, enfim, simples e sem pretensões de grandeza, um homem que não se deixou enebriar pelo poder mas antes partilhou o seu dom do Amor com quantas pode. O seu nome, o nome do maior português de sempre é, sem qualquer dúvida, Zezé Camarinha.

Por ter apresentado um visão pós-moderna ("É de pequenino que se enraba o bonequinho") de um dos mais carismáticos provérbios da língua portuguesa, o doce vai para... Pisconight! Aqui o tem, vem equipado com duplo airbag, jantes de liga leve, pneus com picos para a neve e, segundo dizem, vai dos zero aos 18 centímetros em menos de dois segundos... Para a Pseudo, a decifradora de leit-motifs da Literatura, uma menção honrosa e para o Humor Negro, hipnotizador de tribos somalis, o prémio de consolação...












